S. Jorge da Beira

S. Jorge da Beira

A história da mineração do volfrâmio em Portugal inicia-se aqui, ainda em finais do século XIX, pela mão de um simples carvoeiro natural de Casegas que, ao encontrar umas pedras negras as levou a um seu conterrâneo com conhecimentos em Lisboa, o qual veio posteriormente a registar o achado. Começava assim a história das minas da Panasqueira, mais tarde o Couto Mineiro da Panasqueira, ainda atualmente a laborar.

Na povoação da Panasqueira propriamente dita resta apenas a memória bem viva da mineração, expressa na vastidão de antigos armazéns e casas operárias, testemunhos de uma vida social e laboral intensa, com dezenas de famílias vivendo da mina e para mina, justificando até a existência de um cinema. 

Porém S. Jorge da Beira não se esgota nas minas e nas paisagens industriais daí resultantes. A aldeia fica no sopé da serra do Açor, cujo ponto culminante é Cebola, igualmente integrado no Sítio da Rede Natura denominado complexo do Açor.

Volfrâmio
Volfrâmio
Xisto
Xisto

Sobral de São Miguel

Sobral de São Miguel

O nome sobral diz tudo. É terra de sobreiros (aqui normalmente designados por sobreiras), existindo em redor da aldeia alguns de porte monumental. O coberto vegetal das áreas de altitude mais baixa é, potencialmente, o sobreiral e como sub-bosque os matagais mediterrânicos em que o medronheiro tem uma presença muito expressiva. 

O relevo de uma boa parte da freguesia é muito acidentado, numa sucessão de lombas e barrocas cada vez mais altas e profundas. Porém esta morfologia não intimidou os seus habitantes, que ao longo de séculos levantaram muros e socalcos em xisto, conquistando metro a metro solo arável e criando engenhosos sistemas de condução da água. O xisto é uma realidade bem presente em toda a área do território do Sobral, estando por isso muito justamente integrado na rede das Aldeias do Xisto.

O topónimo do carismático ponto culminante da freguesia, pico de Gondufo, traz-nos reminiscências germânicas e mágicas. Além da magnífica paisagem, trata-se de um local que, pelo seu interesse botânico, integra o Sítio da Rede Natura 2000 designado como complexo do Açor.

Estrela
Estrela
Xisto
Xisto

Erada

Erada

Erada, apesar de estar no sopé da Estrela, não tem verdadeiramente um carácter serrano. Os relevos são arredondados, os afloramentos rochosos pouco frequentes. As áreas mais altas estão ocupadas por matos de espécies arbustivas muito diversificadas, cujas florações de matizes multicoloridas se estendem do final do Inverno até ao Verão, sendo por isso a apicultura largamente praticada. 

Nas encostas o pinhal é dominante, nas terras mais baixas e planas, e também em socalcos, a oliveira tem grande representatividade, tendo havido diversos lagares em funcionamento, um dos quais, entretanto recuperado pela Junta de Freguesia, utilizava a prensagem por varas, facto que lhe confere especial interesse.

 As diferenças de relevo e ocupação do solo fazem de Erada uma zona de transição, entre a Estrela e o Rio.

Estrela
Estrela
Xisto
Xisto
Erada 1

Unhais da Serra

Unhais da Serra

O topónimo advirá, talvez, do facto de ficar no sopé ou extremidade da Estrela, cuja presença marca fortemente o carácter e a identidade desta freguesia, estreitamente ligada à chamada corda dos lanifícios da serra da Estrela, com uma atividade industrial intensa no passado e no presente. Apesar disso a ruralidade e a pastorícia estão também muito presentes, com lameiros e moinhos ao longo da ribeira de Alforfa, a qual corre num vale, onde abundam testemunhos da glaciação, alguns dos quais classificados como geossítios no âmbito do Estrela Geopark.

Grande parte da morfologia da área serrana do território de Unhais pertence ao domínio do granito, porém o xisto tem uma presença forte nas cotas inferiores, sendo ambos os materiais usados, lado a lado, na arquitetura tradicional.

Entre a indústria dos lanifícios e a ruralidade, a existência das termas veio a conferir um certo tom cosmopolita a Unhais, com chalés e hotéis, resultando daí um carácter local muito particular.

Estrela
Estrela

Cortes do Meio

Cortes do Meio

Cortes do Meio é uma freguesia de contrastes, que desde logo se manifestam na altimetria do seu território, cujas cotas inferiores se situam nos 500 m atingindo as superiores os 1600. O seu ponto culminante são as Penhas da Saúde, localidade atípica no conjunto serrano, que nasceu em finais do século XIX como estância terapêutica para tratamento da tuberculose e evoluiu para estância de férias de montanha.

Os seus habitats montanos (bosquetes, turfeiras e cervunais) constituem as nascentes e os reservatórios para a ribeira das Cortes, que se lança serra abaixo em torrentes e cascatas, entre blocos graníticos formando os famosos “poços” de água cristalina, tornando Cortes do Meio a capital das piscinas naturais® .

A mineração do volfrâmio foi uma realidade muito marcante na vida da freguesia, com cerca de uma dezena de minas licenciadas, mas de que atualmente pouco mais subsiste do que a memória. A agricultura, o pastoreio e a exploração florestal, continuam a ser atividades determinantes na composição das paisagens de Cortes do Meio.

Estrela
Estrela
Volfrâmio
Volfrâmio
mapa-cortes-do-meio
Foto de Pedro Ribeiro